Páginas da Vida

Ao me entregar aquela carta ele me pediu que não comentasse com ninguém. Comecei a ler e o chão abriu sob os meus pés, na hora eu liguei para ele e pedi que viesse para nós conversarmos, pois eu não
ia conseguir esperar até a hora do almoço sem comentar com minha
mãe, estávamos só nós duas. Ele respondeu que só iria na hora do
almoço, então eu fiquei desesperada e contei para minha mãe que
ficou sem saber o que fazer. Ficamos as duas desesperadas sem falar
para ninguém.
Quando minha irmã chegou do trabalho viu logo que alguma coisa havia acontecido, então eu mostrei a carta para ela que na hora também perdeu o controle.
A pior hora foi quando meu filho, Rafael chegou do colégio, ele estava
na quinta série, todo alegre ele entrou e colocou a bicicleta na área da frente e chegando na sala nós não tivemos o controle para lhe dar a notícia e ele também começou a chorar,além do falecimento de minha mãe este foi o momento mais triste e doloroso da minha vida.
Logo ele chegou e viu que eu havia mostrado a carta, ele sentou numa cadeira e não disse uma palavra.

Minha irmã foi a única que teve forças para falar e perguntou porque ele estava fazendo aquilo conosco, ele não respondeu. Perguntou se era por causa de outra mulher ele disse que não e que eu sabia o
porquê. Minha irmã descontrolada começou a gritar com ele e falar tudo o que a gente tinha feito por ele, se ele queria ir embora que fosse para onde ele nunca devia ter saído. Eu continuei calada parece
que eu estava assistindo um filme de terror ou vivendo um pesadelo.
Ele foi até o nosso quarto e pegou um pijama, colocou numa sacola e saiu.

Ficamos ali, paradas sem saber o que fazer, neste dia nem almoço eu fiz, eu só chorava, a dor que eu sentia parecia que ia me sufocar. Eu queria sumir dali, acordar e ver que tudo não passava de um pesadelo.
Mas quando eu olhava, minha mãe, meu filho e minha irmã, todos
transtornados eu me desesperava.
Ficamos ali na sala, minha irmã deitou no chão e uma vizinha amiga nossa a do churrasco passou e mexeu com ela que fez de conta que não ouviu.
Nesta altura ele já havia trabalhado a cabeça do nosso filho e levado aos poucos uma parte das suas coisas, um dia eu lhe perguntei onde estava a caixa de ferramenta e ele me respondeu que estava na casa
de uma “amiga” nossa e que ele estava fazendo um serviço para ela no final de semana.
Lá pelas 14 horas, chegou uma velha amiga nossa, ela costumava ir sempre nos visitar. Começamos a conversar normalmente, mas eu não consegui segurar e falei para ela que o meu marido havia ido embora.
Ela ficou desnorteada e falou que não sabia de nada e por isso tinha ido lá, então eu lhe respondi: Foi Deus quem mandou a senhora aqui.
(continua)

Eu queria tanto acreditar…

agosto 23rd, 2010

Eu queria tanto acreditar que existe mais uma chance.

Que ainda tenho mais uma chance de ser feliz.

Que tudo que eu leio que tudo que ouço, não é uma balela.

Que realmente tenho muito a viver.

Mas todos esses “quês”, na verdade só me deixam ainda mais indiferente.

Penso no amor que já vivi nesse amor que deixei viver.

Que deixei viver uma história que não era comigo, que deixei ser livre.

Ele se foi, eu sofri, mas sobrevivi.

Não posso dizer que durante os anos que se passaram, não pensei que ele pudesse voltar.

Não pensei que ele pudesse descobrir que sua felicidade era eu.

Mas como isso não aconteceu, a cada dia o fui deixando ser mais livre.

A cada dia fui deixando de desejá-lo para mim, melhor dizendo a cada dia fui deixando de acreditar que ele pudesse ser para mim.

Agora, depois de tudo, me pergunto sem parar.

Pergunto a Deus, as estrelas, ao meu coração:

O que vai acontecer comigo, o que vai ser de mim?

Será que ainda posso ser feliz, será que ainda terei a chance de sentir meu coração sorrindo, de sentir que não estou sozinha nesse mundo.

Será que existe em algum lugar, um alguém.

Um alguém por quem eu possa me apaixonar, um alguém que possa me amar.

Seria tão bom se pudesse sentir alguém segurando as minhas mãos.

Seria tão maravilhoso se pudesse sentir de novo que sou parte de uma vida.

Que sou parte de uma história, seria tão bom me sentir viva de novo.

Manfredo

Estamos com fome de amor!

agosto 17th, 2010

Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: “Digam o que disserem, o mal do século é a solidão”. Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.

Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas. E saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.

Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos “personal dance”, incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?

Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão “apenas” dormir abraçados, sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.

Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a “sentir”, só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.

Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos Orkut, o número que comunidades como: “Quero um amor pra vida toda!”, “Eu sou pra casar!” até a desesperançada “Nasci pra ser sozinho!”.

Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.

Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega.

Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, “pague mico”, saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta.

Mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois.

Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: “vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida”.

Antes idiota que infeliz!
Arnaldo Jabor

Para o meu filho, Rafael!

agosto 12th, 2010

τє αмσ!

τє єѕρєяєι αиѕισѕαмєиτє,
иãσ ѕαвια ѕє vσ¢ê єяα υм мєиιиσ
συ υмα мєиιиα.

ѕєиτια σ ѕєυ ¢σяαçãσzιинσ вατєя
∂єиτяσ ∂є мιм є мє ємσ¢ισиαvα.
ιмαgιиαvα ¢σмσ vσ¢ê ѕєяια,
σ ѕєυ ѕσяяιѕσ, σѕ ѕєυѕ σℓнσѕ.

fιиαℓмєиτє ¢нєgσυ α нσяα,
vσ¢ê яєѕσℓvєυ vιя ¢σинє¢єя
σ мυи∂σ αqυι fσяα.
συvιя σ ѕєυ ¢нσяσ
мє ємσ¢ισиσυ, vσ¢ê α¢αвαvα ∂є иαѕ¢єя
мєυ fιℓнσ, яαfαєℓ.
ρяєѕєиτє ∂є ∂єυѕ!!!

(иєυѕιинα) 12/08/2010

SONETO TRISTE

agosto 12th, 2010

Quanta aflição, oh, triste agonia…
Espelho que me tinge a face.
O que há razão! Essa melancolia,
Sem ter “amor” não tem disfarce.

Lágrimas, que aos olhos nasce…
Pois que há vida, mas não há dia!
Não há prazer, imensa euforia
Que não se estende o seu enlace.

Por que me ocultas em prazer?
Se souberes que te sou tão forte,
Tão mais durável que meu viver…

Desfolharia, em mim, tua sorte?
Oh, vida! Dá-me seu renascer…
Para que, não te findes na morte!

(Poeta Dolandmay)

O caminho da Vida!

agosto 5th, 2010

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.

A cobiça envenenou a alma dos homens… levantou no mundo as muralhas do ódios… e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e morticínios.

Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria.

Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.

Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

(O Último discurso, do filme O Grande Ditador)
Charles Chaplin

Os dias foram passando, os meses e até que enfim eu terminei o tratamento, era final do ano 2000. Na virada do ano dois mil, nós saímos eu, ele e um amiguinho do meu filho para ir ver a queima de fogos na beira do rio, ele calado, não trocamos
uma palavra, de repente eu comecei a chorar, só o amiguinho do meu filho percebeu, aí eu me controlei, logo que terminou fomos embora para casa.
Aí começou meu outro calvário, o meu ex-marido começou a me cobrar porque nós não mudávamos da casa da minha mãe( ela idosa e doente) eu tentava argumentar mas nada o convencia. De repente ele começou a falar de separação e eu sempre pedindo para ele compreender o meu lado e nada.
De repente ele começou a falar com o nosso filho que ia embora, meu filho então uma criança começou a ficar preocupado e pedia para ele não ir.
Era final de ano, meu filho pediu para que ele esperasse o Natal e o Ano Novo, ele
concordou, mas só por concordar, não parava em casa, na noite de Natal, eu preparei a Ceia como fazia todos os anos, depois da meia noite quando fomos cear ele não quis sentar à mesa.
Depois da ceia ele disse que ia cumprimentar uns amigos que era costume dele visitar sempre,e eu ia com ele. Nesta noite ele não quis que eu fosse, como eu insisti ele desistiu e fomos dormir.
Os dias continuaram iguais, eu calada e ele também e minha irmã falando que ele
estava com outra pessoa e eu sem acreditar, achava que era porque eu não queria mudar.
Diante de tudo isso fiquei deprimida e comecei a tomar remédio para depressão, nesta época eu continuava indo ao Oncologista e sempre que entrava no consultório era chorando. Então contei o que estava acontecendo e o meu médico falou que eu tinha que tomar uma atitude pois não era boa para mim aquela situação.Eu só chorava, mas na frente dele eu me fazia de forte, talvez eu tenha errado aí, devia ter esperneado, mostrado o meu lado fraco, quem sabe ele não visse o mal que estava me fazendo. Um dia nós estávamos no quarto, ele sentado na cama e eu encostada na porta do banheiro tomando água ele me encheu tanto que eu joguei a água do copo no rosto dele que me olhou assustado, hoje eu me arrependo devia ter jogado era o copo.
No mês de agosto de 2000 eu voltei a trabalhar, mas fiquei uma semana e vi que não dava para trabalhar com tantos problemas. Falei com ele que ia ver se o meu tempo de serviço dava para eu aposentar e perguntei o que ele achava, então ele falou que era bom, que se tudo desse certo que eu me aposentasse.
Fui ao Setor de Aposentadoria e pedi que olhassem se dava para eu aposentar por tempo de serviço e não por invalidez.
Ao terminar o expediente uma colega minha veio e falou se você quiser pode sair amanhã. Foi o que eu fiz, saí normalmente como se fosse voltar no dia seguinte, deixei minhas gavetas cheias com minhas coisas, meus materiais e lá não voltei mais.
Como eu havia dito antes ele ficou para o Natal e o Ano Novo, então eu pensava comigo ele não vai ter coragem de me deixar com o seu filho na situação em que eu
me encontrava.
De repente meu filho chegou e falou que havia conseguido fazer com que ele ficasse o período das férias e que dependia de mim se ele ia ficar ou ir embora.
As aulas começaram, no sábado havíamos saído á noite, fomos a um barzinho como senão estivesse acontecendo nada, ao voltar encontramos os padrinhos do meu filho que sabiam de tudo, então ficaram muito alegres achando que a situação havia sido resolvida, depois ela comentou comigo.Passou o domingo, a segunda e tudo normal, quando na terça-feira pela manhã depois que meu filho foi para o colégio e minha irmã também que é professora, ficamos eu e minha mãe e ele. Quando ele terminou de arrumar para ir trabalhar, eu estava deitada, ele chegou
e me entregou um papel dobrado e saiu, quando eu abri e comecei a ler era uma carta de despedida.(continua)

Tinha tudo para ser um final feliz – parte 13

Quando terminaram as sessões de radioterapia fui passar pelo médico oncologista que me examinou e prescreveu 13 sessões de quimioterapia de 20 em 20 dias.
Aí começou o meu verdadeiro sofrimento, nunca pensei que fosse um tratamento tão doloroso. Continuei na minha casa e no dia marcado eu ia para a cidade vizinha, tinha que ficar em jejum até a hora da consulta para no mesmo dia fazer os exames, saía de casa 5:30h, às vezes nem tomava café, já ia direto para o apartamento de uma amiga, madrinha do meu filho, almoçar.
Este dia eu tinha que dormir lá, pois no outro dia cedo é que saía o resultado
dos exames e o médico prescrevia a dose que eu iria tomar.Esta parte eu não gosto de lembrar, eu já saía da sala enjoando. Minha amiga insistia para que eu ficasse mais um dia, enquanto o enjôo melhorasse um pouco, mas eu sempre resistia e acabava vindo embora de táxi, o motorista sempre que eu pedia ele parava para eu descer e vomitar, às vezes nem conseguia vomitar pois não havia comido nada.
Quando chegava em casa, ia direto para a cama, não conseguia comer nada, só enjoando e aquele cheiro que não saía do meu nariz.Minha mãe, ficava tão preocupada, ficava inventando comida para ver se eu comia, mas eu não conseguia.
Quando o enjôo começava a passar já estava no dia de retornar, foram treze meses nesta vida.
Eu sempre buscando força que nem eu mesma hoje sei de onde, para aguentar tudo aquilo alegre, preocupada com as pessoas que estavam ao meu redor, eu não queria que elas sofressem junto comigo, então eu fingia estar bem, quando na verdade eu queria morrer para que aquilo tudo passasse.
Meu marido,hoje ex entrava e saía e nem sequer perto de mim aproximava,sua hora de almoço ele passava não sei aonde, só chegava almoçava e voltava para o serviço, a tarde ele saía do serviço e só chegava em casa lá para as 23:00h.
Eu tão envolvida com os meus problemas, nem procurava saber aonde ele estava, apesar dele sempre dar alguma satisfação.
Quando ele chegava antes das 19;00h, eu já sabia, nem era preciso perguntar, reunião da Sociedade São Vicente de Paula, aí eu podia esquecer e ir dormir, pois não tinha hora para voltar.
A minha irmã queria morrer, falava comigo para eu não aguentar aquilo, pois com certeza ele estava com outra mulher, e eu ainda achava ruim com ela.
Eu confiava demais nele, ele era tudo na minha vida e até então sempre tinha sido o marido que toda mulher sonhava. Eu por nenhum segundo pus em dúvida o
seu caráter, ele era o homem mais honesto que eu conhecia,estava sempre do meu lado, nunca havia me negado nada, nunca dormia fora de casa, então eu achava que aquela mudança era por causa da situação financeira e que era só preocupação. Hoje vejo como fui cega, como eu estava enganada a respeito dele e dos seus amigos. Todos me traíram, apesar de só ele ter o compromisso deser leal comigo, compromisso esse que ele assumiu perante a Deus e aos homens.

(continua)

IGUAIS

agosto 1st, 2010

IGUAIS

O meu amor não quer dizer
Tudo o que sente seu coração,
Mas não sabe que eu o posso ler
E até entender a sua razão.

Se eu a pudesse falar
Tudo o que eu sinto por ela
Será que ela iria entender
E assim deixar de esconder
Esta paixão que lhe devora?

O meu coração só quer por hora
Apenas uma palavra dela
Para que quando eu a encontrar
Eu a possa dizer simplesmente
Que tudo o que ela sente,
Que tudo o que ela esconde
Também me devora o peito
D’um jeito que me faz sofrer
Qual um ser sem nome
Que aos cantos só sabe chorar.

O amor que me consome,
Tudo o que sente meu coração
É nela uma palavra oculta
De a mesma forma de amar.

(Poeta Dolandmay)

Que os seus dias sejam de AMOR!!!

*Direitos Reservados*

Procura-se um amigo

julho 31st, 2010


Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração.
Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir.
Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa.
Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor…
Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo.
Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão.
Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados.
Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar.
Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa.
Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo.
Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários.
Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo.
Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância.
Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade.
Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo.
Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas.
Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

Vinícius de Moraes

Boas Vindas!!!

Frases Curtas

Pergunte que eu respondo!

Mensagem


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